22 de outubro de 2026
Notícias
Portugal e Polônia despontam como rotas estratégicas para aprofundar a integração comercial entre Brasil e União Europeia
Um artigo publicado no Diário do Comércio, assinado pelo colunista Paulo Salerno, defende que o Brasil deveria diversificar seus pontos de entrada no mercado europeu, apostando em Portugal e na Polônia como plataformas complementares aos parceiros comerciais tradicionais. Segundo o texto publicado em Setembro de 2026, embora o país já mantenha um volume expressivo de trocas com o bloco, existiria uma distinção relevante entre simplesmente vender para a Europa e estar efetivamente integrado às suas cadeias produtivas, o que exigiria uma estratégia de inserção mais profunda do que a atual.
O artigo aponta, que a relação comercial do país com o bloco permanece concentrada, já que Holanda, Espanha, Alemanha, Itália e Bélgica responderam por 73% das exportações brasileiras à UE em 2023, muitas vezes atuando como intermediárias de reexportação para outros mercados. Nesse cenário, Portugal é apresentado como potencial hub tecnológico e de defesa, puxado pelas vendas de aeronaves da Embraer à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), como o KC-390 Millennium e o A-29N Super Tucano, em um momento de expansão dos orçamentos militares europeus, que passaram de € 418 bilhões em 2025 para uma previsão de € 454 bilhões em 2026. A Polônia, por sua vez, é descrita como corredor logístico e industrial voltado à Europa Central e Oriental, já consolidado nas trocas de celulose, com o país tendo importado cerca de US$ 497 milhões do produto em 2024, dos quais US$ 185 milhões vieram do Brasil, além de figurar como grande exportadora de papel e derivados.
Para o autor, a relevância estratégica dessa proposta estaria em reduzir a dependência brasileira de poucos portos de entrada e avançar rumo à agregação de valor, deixando de exportar apenas matérias-primas para participar de etapas mais avançadas das cadeias produtivas europeias, como transformação industrial, certificação e distribuição regional. O texto sustenta que essa reconfiguração não visaria substituir os grandes parceiros comerciais já consolidados, mas construir uma segunda camada de inserção que torne o comércio entre Brasil e União Europeia menos dependente de poucos mercados e mais capilarizado, ampliando a presença econômica brasileira no continente para além dos números tradicionais de exportação.
Leia mais em: https://dcomercio.com.br/publicacao/s/brasil-e-o-comercio-com-a-europa-portugal-e-polonia-como-hubs
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