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30 de julho de 2026

Portugal e Brasil negociam polos de combustíveis renováveis para a Europa

O governo português iniciou negociações com autoridades e investidores brasileiros para viabilizar polos industriais focados em biocombustíveis e querosene verde de aviação (SAF). A pauta foi aprofundada durante a missão diplomática da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, ao Brasil, que ocorreu durante o mês de julho. Durante a agenda oficial em Brasília, ela teve reuniões bilaterais para consolidar o interesse mútuo na expansão do setor de matrizes limpas.

A sinergia estruturada entre as nações fundamenta-se na aliança de diferentes vantagens competitivas. Enquanto o mercado sul-americano detém experiência e potencial  para o refino de biomassa, o território luso posiciona-se como um polo logístico estratégico para o bloco europeu, principalmente para a entrada de biocombustíveis vindos do Atlântico Sul. 

Essa integração visa suprir as rigorosas metas ambientais e de transição energética exigidas na Europa. O objetivo é ir além da eletrificação de frotas, oferecendo alternativas de combustão limpa essenciais para os setores de difícil descarbonização, em especial o aéreo e o energético.

As eventuais parcerias corporativas deverão focar em infraestruturas industriais totalmente distintas do refino fóssil tradicional. A estruturação financeira e a captação de aportes estrangeiros ficarão a cargo da agência estatal lusitana de fomento, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Além do alinhamento técnico, a proposta já ganhou a chancela do presidente brasileiro e de outras instituições. A ApexBrasil, por exemplo, possui desde 2024 uma representação física no país europeu com o objetivo de aproximar diferentes atores e ampliar oportunidades para investidores tanto portugueses quanto brasileiros.

Do ponto de vista geopolítico, a aproximação reforça a busca de Lisboa por maior estabilidade em seu suprimento energético. Atualmente, o Brasil já lidera o fornecimento de petróleo bruto para Portugal, concentrando uma fatia de quase metade do volume de importações dessa commodity pelo mercado português. Expandir esse laço comercial histórico em direção à economia verde é um passo calculado para fortalecer a transição energética no país e mitigar a exposição de Portugal às flutuações e incertezas do mercado global. 

Leia mais sobre o tema em: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/07/17/portugal-busca-parceria-com-brasil-em-biocombustiveis.ghtml

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