10 de setembro de 2026
Notícias
Capital italiano no Brasil mira aporte de R$ 90 bilhões até 2029
O Brasil deixou de ser encarado por investidores italianos apenas como destino de exportações e passa a ocupar posição central nos planos de expansão de suas empresas pela América Latina. Segundo avaliação de Graziano Messana, presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura (Italcam), os projetos italianos já em andamento no país somam cerca de 70 bilhões de reais, montante que pode chegar a 90 bilhões de reais ao longo dos próximos três anos, considerando os compromissos já anunciados por diferentes grupos.
Até pouco tempo, a estratégia predominante das companhias italianas consistia em criar subsidiárias voltadas ao atendimento de multinacionais do próprio país já estabelecidas em solo brasileiro, caso de nomes como Enel, Pirelli, Luxottica, Ferrero, Fiat e das mais de 1.100 outras empresas italianas presentes no Brasil. Esse modelo vem sendo substituído, nos últimos dois anos e meio, por movimentos de aquisição direta de operações locais. Entre os exemplos estão a Almaviva, que assumiu o controle da TIVIT e parte da Magna Sistemas, tornando-se uma das maiores empresas de tecnologia do país em faturamento, além da Zucchetti, que realizou cerca de dez aquisições no Brasil, da Lynx, responsável pela maior compra internacional de sua história ao adquirir a Ímpar, e da consultoria BIP, que ampliou sua atuação em inteligência artificial após comprar a BITKA Analytics. Messana atribui parte desse movimento à entrada em vigor da fase tarifária do acordo Mercosul-União Europeia, que reduziu tributos sobre máquinas e equipamentos de automação sem produção equivalente no Brasil.
O ritmo desses aportes também é impulsionado pela disputa por infraestrutura de inteligência artificial no país, favorecida pela matriz energética limpa brasileira e pelo programa Redata, voltado à desoneração tributária de equipamentos para data centers e hoje em tramitação legislativa após a Medida Provisória original perder validade. O tema deve ganhar novo fôlego com a missão empresarial da Confindustria, entidade italiana equivalente à CNI, que trará cerca de cem companhias ao Brasil nos dias 9 e 10 de setembro, com a presença do vice-premiê Antonio Tajani, priorizando setores como agroalimentar, farmacêutico, energia e tecnologia da informação, áreas com forte interligação à cadeia de data centers e terras raras.
Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/diogo-schelp/de-olho-no-redata-empresas-italianas-preveem-investir-r-90-bi-no-brasil/
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