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02 de outubro de 2026

Brasil se consolida como terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto do mundo e amplia a atração de capital europeu e chinês

Levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que o Brasil recebeu US$ 77 bilhões em investimento estrangeiro direto em 2025, posição inferior apenas à dos Estados Unidos, com US$ 288 bilhões, e à da China, com US$ 80 bilhões. O montante superou em 23% o resultado de 2024, num cenário em que o fluxo mundial cresceu 6%, de acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, e equivaleu a 40% do capital direcionado à América Latina e ao Caribe, conforme a CEPAL. A trajetória de alta se manteve em 2026, pois o Banco Central do Brasil contabilizou US$ 54,4 bilhões entre janeiro e julho, avanço de 24% na comparação anual.

O desempenho brasileiro contrasta com a retração de 24% dos investimentos greenfield, voltados a projetos novos, nas economias emergentes, e foi reforçado pelo anúncio, em dezembro, de um data center de US$ 40 bilhões a ser erguido pela ByteDance, controladora do TikTok, no Pecém (CE), com alimentação por energia eólica. No recorte por origem, o dado mais recente, referente a 2024, mostra os Estados Unidos com 26% do estoque, seguidos por França (8%), Uruguai (7%), Espanha (6%) e Países Baixos (5%). Segundo a economista Carla Beni, professora da FGV, os chineses concentram esforços em infraestrutura pesada, como redes elétricas, montadoras de veículos elétricos e mineração, e o Conselho Empresarial Brasil-China registrou que o país foi o principal destino mundial do capital chinês em 2025, com US$ 6,1 bilhões distribuídos em 52 projetos, alta de 45%. Já os fundos europeus lideram consórcios nos segmentos de saneamento, concessões rodoviárias e geração eólica e solar, e a Cepal estima que a Europa respondeu por 32% do investimento de origem identificável na América Latina em 2025.

Na avaliação de Beni, hidrogênio verde, descarbonização industrial e data centers figuram entre as novidades de 2026, e a atratividade brasileira se apoia na baixa volatilidade geopolítica, na neutralidade diplomática e na matriz energética limpa. Larissa Wachholz, pesquisadora sênior do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), sustentou durante o Fórum Agenda Global 2026, realizado em 21 de setembro em Nova York, que o país tende a ganhar mais ao manter a abertura a todas as grandes potências, sem alinhamentos preferenciais, e mencionou Japão e Coreia do Sul como parceiros relevantes na Ásia. Ela também citou o quinto leilão do Eco Invest Brasil, programa do Ministério da Fazenda, que reserva R$ 1,5 bilhão do Tesouro Nacional a cada fundo, com possibilidade de os bancos acrescentarem até o dobro, e mira R$ 50 bilhões em mobilização de recursos, cujos resultados ainda não foram divulgados. Entre as frentes a explorar, apontou minerais raros, química sustentável, etanol, beneficiamento de urânio e produção nacional de fertilizantes, área em que a maior autossuficiência reduziria a dependência de insumos importados pelo agronegócio.

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